Agente de carteira móvel M-Pesa atendendo cliente em Moçambique com novo sistema de transferências diretas implementado em fevereiro de 2026

Os utilizadores de carteiras móveis em Moçambique enfrentam uma mudança significativa na forma como realizam operações básicas de levantamento e depósito. A partir de 1 de fevereiro de 2026, agentes das principais plataformas de dinheiro móvel do país implementaram um novo sistema operacional que afeta milhões de moçambicanos que dependem destes serviços no seu dia a dia.

A alteração surge como resposta a mudanças regulatórias recentes e promete impactar a rotina financeira de quem utiliza M-Pesa, e-Mola e mKesh para transações quotidianas.

O Que Mudou no Atendimento

Os agentes de M-Pesa (Vodacom Moçambique), e-Mola (Movitel) e mKesh (Tmcel) anunciaram a suspensão temporária do uso dos códigos de agente para operações convencionais de levantamento e depósito.

A partir desta data, todas as transações nestas plataformas passam a ser realizadas exclusivamente através de transferências diretas. Na prática, isto significa que o cliente precisará transferir o montante desejado para levantamento somado à taxa aplicável diretamente para o número pessoal do agente eletrónico.

Cada agente passará a operar utilizando o seu número pessoal de carteira móvel, substituindo o sistema anterior baseado em códigos padronizados de atendimento. Segundo comunicado divulgado em grupos comunitários e redes sociais, a medida foi adotada pelos próprios agentes como estratégia preventiva e temporária.

Contexto: A Nova Lei de Retenção de 10%

A mudança operacional está diretamente relacionada com a entrada em vigor de nova legislação governamental que estabelece a retenção de 10% sobre os ganhos mensais dos agentes de carteiras móveis.

Pontos-chave da nova regulamentação:

  • Retenção obrigatória: 10% dos rendimentos mensais dos agentes devem ser retidos
  • Impacto financeiro: A medida afeta diretamente a margem de lucro dos pequenos empresários que operam como agentes
  • Resposta do setor: Agentes organizaram-se coletivamente para adaptar o modelo de negócio
  • Alcance nacional: A alteração aplica-se aos três principais operadores de dinheiro móvel do país

Esta não é a primeira vez que o setor de serviços financeiros digitais em Moçambique enfrenta ajustes regulatórios. O mercado de carteiras móveis movimenta milhões de meticais diariamente e representa uma componente vital da inclusão financeira no país, especialmente em zonas rurais com limitado acesso a bancos tradicionais.

Análise e Impacto para os Utilizadores Moçambicanos

Para o consumidor comum, esta mudança representa tanto desafios quanto oportunidades de adaptação ao ecossistema digital. O novo sistema baseado em transferências diretas exige maior atenção por parte dos utilizadores durante as transações, uma vez que será necessário calcular manualmente o valor total incluindo taxas antes de efetuar a operação.

Isso significa que a experiência do utilizador torna-se ligeiramente mais complexa, especialmente para cidadãos menos familiarizados com tecnologia ou com baixa literacia digital. A ausência do código de agente padronizado pode inicialmente gerar confusão, principalmente em agentes com elevado volume de atendimento simultâneo.

Para os moçambicanos que dependem destas plataformas para receber salários, pagar contas ou realizar compras diárias, o período de adaptação pode trazer inconvenientes temporários. Existe também a questão da transparência nas taxas, que agora precisarão ser comunicadas verbalmente pelo agente antes de cada transação.

Por outro lado, especialistas em economia digital sugerem que este modelo pode eventualmente criar maior rastreabilidade nas operações, uma vez que cada transação fica registada nominalmente. Isto potencialmente reduz riscos de fraude e aumenta a responsabilização individual dos agentes.

O impacto esperado é que, após o período inicial de ajuste, o sistema possa funcionar com normalidade, embora a sustentabilidade a longo prazo dependerá de como a regulamentação de 10% será efetivamente implementada e fiscalizada pelas autoridades competentes.

O Que os Utilizadores Devem Fazer

Ao dirigir-se a um agente de carteira móvel, os clientes devem agora:

  1. Informar o valor pretendido para levantamento ou depósito
  2. Perguntar qual a taxa aplicável e o número pessoal do agente
  3. Efetuar a transferência do valor total (montante + taxa) para o número indicado
  4. Confirmar a receção antes de receber o dinheiro ou concluir o depósito
  5. Guardar o comprovante da transação para eventuais reclamações

Esta metodologia exige maior comunicação entre cliente e agente, reforçando a importância de escolher pontos de atendimento confiáveis e devidamente identificados.

A suspensão dos códigos de agente e a transição para transferências diretas marca um momento de transformação no setor de carteiras móveis em Moçambique. Embora a medida seja apresentada como temporária, ela reflete tensões mais amplas entre regulamentação governamental e sustentabilidade dos pequenos empresários que mantêm a rede de agentes funcionando em todo o país.

Para os milhões de moçambicanos que utilizam M-Pesa, e-Mola e mKesh diariamente, adaptar-se ao novo sistema será essencial para manter o acesso aos serviços financeiros digitais que se tornaram indispensáveis na economia nacional.

O que você acha desta mudança no sistema de carteiras móveis? Já experimentou o novo método de atendimento? Partilhe a sua experiência nos comentários abaixo.

NOTA EDITORIAL: Este artigo foi desenvolvido com base em informação divulgada publicamente em redes sociais e grupos comunitários. Recomenda-se que os utilizadores confirmem detalhes específicos diretamente com os operadores Vodacom, Movitel e Tmcel ou com os agentes autorizados antes de realizar transações.