Imagem de satélite mostrando a formação e trajetória da Tempestade Tropical Gezani no Oceano Índico em direção às províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, em Moçambique.

​O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso urgente sobre a progressão da Tempestade Tropical Moderada Gezani, que se encontra atualmente ativa no sudoeste do Oceano Índico. De acordo com os dados mais recentes, o sistema apresenta condições atmosféricas favoráveis para uma intensificação rápida, podendo evoluir para a categoria de Ciclone Tropical antes de atingir o Canal de Moçambique.

​Localização e Intensidade

​Na manhã desta terça-feira, o centro da tempestade localizava-se a 17,8 graus de latitude Sul e 54,8 graus de longitude Leste. Com ventos médios estimados em 75 km/h e rajadas que ultrapassam os 100 km/h, o sistema desloca-se em direção sudoeste a uma velocidade de 15 km/h. As projeções indicam que o fenómeno poderá entrar nas águas nacionais já no dia 11 de Fevereiro de 2026.

​O maior perigo reside na possibilidade de o Gezani ganhar força enquanto atravessa as águas quentes do Índico, aproximando-se da costa moçambicana com a fúria de um ciclone. Caso esta evolução se confirme, as províncias de Sofala, Inhambane e Gaza estão na linha de impacto direto, podendo registar ventos de 120 km/h e rajadas devastadoras de até 140 km/h.

​Análise e Contexto Nacional

​Este alerta meteorológico surge num momento em que o país já enfrenta desafios multifacetados. A cidade da Beira, na província de Sofala, é uma das áreas sob ameaça, o que contrasta com o recente clima de otimismo digital trazido pelo lançamento da app Moyo, criada por um jovem programador da Beira em tempo recorde. A necessidade de sistemas de alerta precoce e aplicações de comunicação torna-se, agora, uma questão de sobrevivência para estas comunidades.

​Além disso, a gestão de crises em Moçambique continua sob pressão. Enquanto o Sul e Centro se preparam para o céu carregado, o Norte ainda lida com a insegurança, como demonstrado pelo recente ataque do Estado Islâmico em Macomia que resultou na morte de militares. A dispersão de recursos do Estado para lidar simultaneamente com o terrorismo e catástrofes naturais testa a resiliência das nossas instituições.

​Por fim, a eficácia da comunicação institucional é fundamental. Assim como debates sociais recentes — a exemplo do polémico divórcio em Nampula motivado por um implante contraceptivo — mostram a importância do diálogo e da informação correta, no caso do Gezani, a desinformação pode custar vidas. O INAM recomenda que as populações sigam apenas os canais oficiais e preparem kits de emergência.

​A ameaça da tempestade Gezani é real e exige vigilância máxima. Com potencial para causar inundações severas e danos estruturais, o sistema meteorológico é um lembrete da vulnerabilidade climática de Moçambique. O Orbe Atual continuará a monitorizar os boletins do INAM para trazer atualizações em tempo real.

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