Moçambique atravessa um momento de redefinição económica onde a resiliência do setor privado é testada diariamente. Nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) deu um passo estratégico ao receber o CEO do CFAO Group. O encontro, ocorrido em Maputo, serviu para dissecar os entraves estruturais que impedem o crescimento acelerado de grandes investidores e para desenhar uma rota de cooperação que beneficie o ambiente de negócios nacional.
O Gargalo das Divisas: O Grito do Setor Empresarial
O CFAO Group, uma potência com operações consolidadas nos setores da mobilidade (automóvel) e da indústria farmacêutica, trouxe para a mesa uma preocupação que ecoa em diversas esferas do mercado moçambicano: a persistente dificuldade de acesso a divisas. Num mercado globalizado, a escassez de moeda estrangeira funciona como um travão de mão puxado para empresas que dependem de importações de veículos, peças e, crucialmente, medicamentos.
Segundo o grupo, este constrangimento tem afetado significativamente a fluidez das suas operações. Sem uma circulação estável de divisas, a capacidade de reposição de stocks e o cumprimento de contratos internacionais tornam-se exercícios de equilibrismo financeiro.
A Resposta Estratégica da CTA e as Instituições de Bretton Woods
Ciente da gravidade do cenário, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) esclareceu que não tem poupado esforços na mediação entre o setor privado e os decisores políticos. A organização assegurou ao CFAO Group que mantém um canal de comunicação aberto e permanente com o Executivo moçambicano.
Mais do que o diálogo interno, a CTA revelou estar em consultas constantes com as instituições de Bretton Woods (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial). O objetivo é encontrar soluções macroeconómicas sustentáveis que garantam que o setor empresarial não seja sufocado por políticas cambiais restritivas. Esta articulação é vital para restaurar a confiança dos investidores internacionais que, como o CFAO, vêem em Moçambique um mercado com enorme potencial de expansão.
Transparência e Justiça como Pilares do Investimento
A estabilidade económica não depende apenas de fluxos monetários, mas também da solidez das instituições que regem o país. A confiança de grupos internacionais como o CFAO é fortalecida quando o sistema de justiça demonstra eficácia e imparcialidade. Recentemente, a condenação do antigo juiz presidente da Maxixe por desvio de fundos públicos enviou um sinal importante ao mercado: a impunidade, mesmo em setores sensíveis, está a ser combatida.
Da mesma forma, a modernização dos mecanismos de controlo e o respeito pelas normas internacionais são fundamentais. Moçambique tem dado passos nesse sentido, como demonstra o início dos testes com pulseiras eletrónicas para reclusos, visando aliviar o sistema penitenciário e alinhar o país com as práticas globais. Contudo, o passado ainda projeta sombras sobre o presente, como se nota na contagem decrescente para a libertação de Manuel Chang nos EUA, cuja saúde debilitada marca o fim de um capítulo das Dívidas Ocultas um caso que continua a servir de lembrete sobre a necessidade de rigor na gestão financeira estatal.
Convites Estratégicos e a CASP 2026
Durante o encontro, a CTA foi mais longe do que a simples análise de problemas. Num gesto de inclusão e reforço institucional, convidou formalmente o CFAO Group a integrar o Conselho Empresarial Nacional (CEN). A ideia é que o grupo traga a sua experiência internacional para o Diálogo Público-Privado, focando-se em dois pelouros críticos para o desenvolvimento humano e infraestrutural: Transportes e Saúde Privada.
A cereja no topo do bolo foi o convite para que o CFAO Group se torne parceiro estratégico da 21.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que se realizará em junho de 2026. A CASP é o maior fórum de debate económico do país, e a presença de um gigante da mobilidade e saúde como o CFAO poderá elevar o nível das discussões sobre industrialização e logística.
O Caminho para Junho
O encontro entre a CTA e o CFAO Group reafirma que, apesar dos desafios cambiais, existe uma vontade férrea de cooperação. Para Moçambique, atrair e manter empresas desta envergadura é a chave para a criação de emprego e para a melhoria dos serviços de saúde e transporte. A resolução da crise de divisas será, sem dúvida, o tema central que dominará a agenda económica até à conferência de junho.
Considera que o envolvimento direto de grandes grupos multinacionais no Diálogo Público-Privado é a solução para acelerar as reformas económicas em Moçambique? Partilhe a sua análise.

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